quinta-feira, 3 de novembro de 2011

POEMA SEM DIREÇÃO

Para Cristiane


um dia lhe pedi talco
ela me deu o cortador de unhas
mais tarde lhe pedi beijo
ela me deu uma lembrança
perguntou pelo exército dos meus mortos
e eu nada lhe disse

então ela toda se riu
desembrulhou-me da toalha
como se eu fosse um chocolate qualquer
e me disse que eu era o seu objeto
havia um bicho de pelúcia no canto
do guarda-roupa
olhos cúmplices do bicho - eu consenti
(bichos de pelúcia não falam)

aos 55 anos meus descobri
que descobri a minha grande paixão
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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